DECOLONIZAÇÃO DO PENSAMENTO COMUNICACIONAL
PERSPECTIVAS, DIÁLOGOS E COLABORAÇÃO ´SUL-SUL´
DOI:
https://doi.org/10.55738/alaic.v24i50.1364Resumo
Nota introdutória
Uma rica pesquisa, de postura crítica aos paradigmas dominantes e com teorização sobre realidades diversas. É a partir destes pressupostos que o brasilianista Thomas Tufte considera, no campo da Comunicação, as muitas escolas existentes do pensamento latino-americano. Dinamarquês, e com vasta carreira acadêmica pelo mundo todo, são essas experiências que permitiram a ele – mesmo como europeu – considerar as relações desiguais de poder entre seu continente de origem, os EUA e a América Latina. Esse movimento, segundo ele, passou de inspiração à dominação. É neste contexto que Tufte atribui ao Norte Global, o que chama de pontos cegos epistemológicos, estabelecidos justamente pela falta de conhecimento que os países desse eixo do Globo têm sobre o que se produz nas pesquisas da América Latina.
Algumas iniciativas pontuais tentaram quebrar essa distância, que perdura há anos, entre o Norte e o Sul Global. Entretanto, a América Latina carrega características limitadoras, como estrutura, barreiras linguísticas e restrições financeiras. Tais condições dificultaram relações mais profundas com europeus e anglo-saxões. Um pouco disso tentou se reduzir com a contribuição de pesquisadores latino-americanos em desenvolver institucionalmente o campo da comunicação.
Neste sentido, Tufte destaca, nesta entrevista, a figura de Paulo Freire. Os dois se conheceram, no Brasil, na década de 1980. O legado deixado pelo brasileiro, reflete Tufte, não deve ser de reflexão nostálgica, mas de uma releitura que possa entender a relevância do pensamento freiriano, aplicado aos desafios do nosso tempo, como por exemplo, a Inteligência Artificial, a qual o professor alerta para ter cuidado e consciência a fim de que o conhecimento e os pontos de vista não se reduzam a condições pobres e uniformes.
No bojo predominante das tentativas e propostas para a decolonização do pensamento comunicacional latino-americano, nosso entrevistado considera que não é o continente que precisa se decolonizar, mas a própria disciplina Comunicação é que deve passar por tal estágio, recuperando sua tradição e epistemologias para agir no desenvolvimento crítico aos paradigmas dominantes. Mais do que os caminhos teóricos para isso, o pesquisador compreende a Comunicação, na atualidade, como processo social, de perspectiva interdisciplinar, que mantém comunidades, pessoas e instituições unidas. E a chave para esta mudança está na aposta dele em valorizar as ações do chamado Sul-Sul, que passamos a conhecer a partir de agora, na entrevista que segue.
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